domingo, 26 de setembro de 2010

Trocando o gelado pelo quente

Houve uma vez em que eu fiz um blog chamado 8 Doses. A ideia, obviamente, era postar só depois de estar inspirada pela vodca.

Claro que durou pouco: se tem coisa que não costuma dar certo é usar o teclado online em estado etílico. É pior do que o discurso abraçativo “pô, você é o meu melhor amigo” ao vivo.

Claro, também, que eu não assinava o blog. Usava pseudônimo. Ainda não conhecia a etiqueta fake, naquela época. Adivinha meu pseudônimo, adivinha! Só não vale palpite do DJ.

O Blogger brasileiro bebeu todas as doses e não sobrou nem uma gota do blog, mas ninguém sentirá falta... Questão é que lembrei dele hoje, porque percebi que há tempos substituí a inspiração on the rocks por outra, igualmente líquida, mas muito melhor aceita socialmente: o banho. Não há lugar melhor para ter ideias, várias ideias. Boas ideias, até. Fico tão concentrada que de vez em quando tenho que rebobinar a fita e pensar se já passei ou não condicionador no cabelo.

Preciso, urgentemente, disso.

sábado, 25 de setembro de 2010

Emergência!!!

Gemidos. Suspiros. Eu acordo.

- O que foi?

- Estou mal, dói tudo, acho que tenho que ir para o Hospital.

Eu acordo mais um pouco.

- Mas o que você tem?

- Estou com muita dor no peito.

Epa, opa, que conversa de dor no peito é essa? Meu menino é muito novo para me dar esses sustos! Sento na cama.

- Dor no peito, como assim? De que jeito?

- É de tanto tossir.

Ah, tá, vamos tentar entender. Tosse já tem dois dias e eu, como sempre, acho que essas coisas passam por si. O que é verdade, 99% das vezes, ué. Dor no peito, na nuca, pernas moles, suor, bonitinho acordou desesperado. Isso em um sábado, 6 e tico da matina. Nessas horas é que penso que, se tivesse tido algum filho, ia ser PHD em emergências domésticas da área da saúde. Mas não tive e nossos probleminhas, aqui, vão da ressaca à dor de estômago, uma cãibra eventual, só coisa pouca. Então, eu não sei.

E já que o horário não era de sair ligando para mãe dele, para amigo médico e nem adiantava fazer pedido para São Longuinho, eu fiz o que sei fazer: fui procurar no Google.

Tasquei os sintomas, abri uma página com jeito confiável, de uma secretaria de Saúde, li, voltei para o quarto e dei o diagnóstico para o moço doente: é gripe.


Gripe masculina, eu deveria ter acrescentado, porque deve ser hormonal essa coisa de achar que qualquer coisa é quase morte. Claro, não fomos consultar um médico (para não abusar da amizade, porque a vítima seria o médico amigo, claro). A simples pronúncia em voz alta do diagnóstico virtual já fez maravilhas pelo meu doente, que relaxou, gargarejou, comeu maçãs e kiwis cortados em pedacinhos pelas mãos amorosas desta que vos digita e voltou a dormir.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Blé

Antigamente, a internet era límpida e eu era risonha e crédula. Acreditava que o encontro entre pessoas, online, tinha um potencial fantástico para derreter preconceitos. Porque nos relacionaríamos com a essência do outro, sem passar por nenhum crivo tradicionalmente gerador de conceitos prévios. Se a outra pessoa é cor de abóbora, multissexual, filha de mãe alienígena e pai mutante, uótever, nada importa. Um universo de pura expressão de ideias, compartilhamento de afinidades, emoções, bobajadas...

Em parte, isso até funciona. Abismos geográficos e geracionais são encurtadas como nunca antes na história deste planeta. Mas o preconceito é mais forte que a tecnologia e nos duelos entre informação X imaturidade, esta tem o péssimo hábito de vencer. E é assim que vemos um festival de ofensas de jardim da infância por aí - bobos! feios! chatos! velhos! suburbanos! Falta de argumentos, versão 2.0, segue firme e forte, mostrando que o ser humano pode ser raso em modelo presencial ou à distância.

Como era mesmo aquela frase do Tom Jobim, dizendo que quando não tinham nada para falar contra o próprio, diziam que o cachorro dele era feio? Não lembro e o Google, pelo jeito, também não.

Google, você é bobo!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Comida ou não comida

Terminei de ler o livrinho Regras da Comida – Um Manual da Sabedoria Alimentar, do jornalista norte-americano Michael Pollan. Livrinho no sentido físico/temporal do diminutivo. É um livro de poucas páginas e pouco texto nessas poucas páginas. Eu tinha lido sobre ele (a partir de alguém que tuitou a notícia do lançamento brasileiro do livro, ói o Twitter mudando a minha vida!) e fiquei curiosa.

A ideia é ótima, simples, cristalina: ajudar a gente a separar, na prática, o que é comida e o que são, expressão favorita do autor, substâncias comestíveis parecidas com comida. Uma misturinha de velhos ditados e conselhos da vovó com observações inteligentes sobre a vida atual – claro que a sociedade analisada no livro é a dos Estados Unidos, aquela em que, a se acreditar na série Revolução da Comida do Jamie Oliver, as criancinhas não sabem nem que cara tem um tomate. Mas como somos quintal ianque, as regras acabam sendo úteis para nossa realidade urbana.

Algumas regras interessantes ou o que lembro delas: evite as prateleiras centrais dos supermercados, é onde ficam os produtos mais processados. Junto às paredes ficam os mais frescos (analisando os supermercados que frequento, confere); evite comprar produtos alimentícios com mais de 5 ingredientes ou que tenha ingredientes que um pré-teen não consiga pronunciar; quer comer bobagem? Faça você mesmo. No final das contas, é um chamamento para a comida feita em casa, a partir de vegetais, peixes e até carnes obtidos da forma o mais natural possível. Ok, a gente já sabia disso. Mas não custa lembrar ou avisar os incautos entusiastas das comidas prontas.

Como praticamente tudo hoje em dia, o livro tem toques de humor. Humor gostosinho, do tipo que causa risadinhas leves a moderadas. E me deixou com vontade de ler outros livros do autor – e de cozinhar. Como se eu precisasse de muito estímulo!

Trechinho para ler em pdf.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O melhor da piada é esperar por ela

Edição é uma coisa sensível, né? Pode matar ou valorizar a coisa editada. Invejo muito quem tem talento para pegar um montão de material e pinçar dele a essência.


Maaaaaaaaaaaaaaas... nem sempre a essência é a melhor escolh
a. Lembro que assisti o trailer do primeiro Máfia no Divã, não lembro se no cinema ou em VHS. Achei genial, não vi a hora de ver o filme. Até que vi o filme e descobri que todas as melhores piadas estavam no trailer. Sicatá, a função do trailer não é acabar com a graça da obra completa, né? É nisso que dá a indústria cultural ter linhas de montagem, aposto que o sujeito que editou o trailer estava pouco se lixando para o filme, só queria fazer um trailer genial. E a gente que se dane, quando descobrir que não sobrou nada para rir.

Aliás, parênteses: toda uma cultura de ver trailer está se perdendo, não? Na menos ruim das hipóteses, migrou para o YouTube. Era diverti
do ver trailer antes dos videos, coisa que não teve mais graça, a patir do DVD. Ok, sempre temos as salas de cinema... e o gerenciamento da preguiça de sair de casa, claro.

Voltando. Lembrei do trailer do filme do Billy Crystal por conta do trailer da nova série Mike & Molly, protagonizada pela Melissa McCarthy (Sookie! Gilmore Girls!). Uma série sobre um casal de gordos que se conhecem em um encontro de algo tipo Gordos Anônimos. É uma comédia fofa (ha ha ha) e, claro, cheia de piadas de gordos, porque o casal é bem humorado.

Você já percebeu o final da história, né? Todas, todas mesmo, as piadas boas do episódio piloto estão no trailer. O editor do trailer foi extremamente guloso.

Agora é esperar que os próximos episódios não tenham trailer.

Ah, sim: eterna gratidão aos que legendam e disponibilizam as séries. Talvez vocês nunca tenham ouvido falar em desobediência civil, mas é exatamente isso que vocês fazem.